Atenção: Este texto é puramente fictício e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Desde já admito que não tenho conhecimento algum de ciência jurídica e não sei como funciona um real julgamento. Se for copiar, por favor cite a fonte. Grata.
Leitura da sentença: São acusados os alunos das instituições de ensino da rede privada de roubar as vagas dos estudantes das instituições públicas nas universidades federais e estaduais.
Os réus não estão presentes, pois não caberiam no tribunal, então foram convocados alguns acusados para falar por todos. Entra a primeira acusada.
Promotor: A senhorita passou para o curso de Medicina da Universidade Federal de Confim da Terra pelo concurso vestibular do ano passado?
Acusada: Sim, senhor.
P: Sua escola era particular ou pública?
A: Particular.
P: A senhorita estudava em qual turno?
A: Manhã e tarde.
P: Fez cursinho preparatório?
A: Sim, aos sábados de manhã e às segundas, quartas e quintas feiras à noite.
P: Quantas horas de estudo diárias costumava ter?
A: Oito horas no colégio, e mais quatro horas de estudo em casa.
P: Já trabalhou alguma vez na vida?
A: Nunca.
P: Seus pais têm condições financeiras de pagar uma faculdade particular?
A: Sim.
P: Por que, então, a senhorita optou por cursar uma universidade pública?
A: Porque as faculdades públicas têm conceito muito maior no mercado de trabalho.
P: Então a senhorita confessa ter passado doze horas diárias estudando para obter uma vaga que era por direito de alguém que não tinha condições de pagar uma faculdade particular? Admite então que roubou a vaga de um estudante de escola pública que ficou sem professor de várias matérias e que tinha de trabalhar para ajudar no sustento da família?
A: Não estudei para roubar a vaga de ninguém, estudei porque queria muito passar no vestibular para garantir meu futuro profissional.
P: E quem é que vai garantir o futuro profissional do grande contingente de estudantes que não têm as suas condições?
A: Mas a falta de condições dos colégios públicos é problema do Estado!
P: Protesto! A ré está ofendendo o Estado.
Juíz: Protesto aceito.
Promotor: Sem mais perguntas.
A assistência fica agitada e alguém grita:
_Por acaso os alunos das escolas particulares têm culpa do descaso das autoridades para com a educação pública?...
Juíz: Silêncio!
_Não são eles tão cidadãos quanto qualquer estudante da rede pública?
Juíz: Ordem no tribunal!
_A Constituição não diz que todos são iguais perante a Lei?
Juíz: Tirem este homem daqui.
O homem é tirado do tribunal pelos seguranças.
Promotor: Os alunos das escolas particulares têm roubado as vagas dos estudantes das escolas públicas há anos. Eles estudam como loucos com o intuito mesquinho de furtar a vaga alheia, para que os mais pobres não tenham condições de competir com eles no mercado de trabalho. Eles são egoístas e só pensam em seu próprio futuro.
Advogado: A precariedade do ensino nas escolas públicas não é culpa destes alunos que ainda nem trabalham! Ora, se os pais deles pagam os impostos e votam como quaisquer outros cidadãos, as universidades públicas são também direito deles.
Promotor: Pode até ser que sejam, mas eles não podem ficar com todas as vagas.
Advogado: Todos são iguais perante a Lei e devem concorrer às vagas igualmente, e deve passar quem obtiver a maior nota.
Promotor: Mas então os estudantes das escolas públicas continuarão sendo minoria nas universidades, e nós precisamos defendê-los, já que são o maior número. Este bem que fazemos hoje com certeza terá reflexos a curto e médio prazo, e creio que ano que vem já começaremos a senti-los.
Advogado: É verdade.
Juíz: Eu declaro os estudantes das escolas particulares culpados por roubarem as vagas dos estudantes das escolas públicas nas faculdades, e eles cumprirão pena de concorrer a somente metade das vagas em toda e qualquer instituição pública de ensino superior no país.
Sessão encerrada.
45 sentaram para escutar:
eu ía dizer q este texto ficou sinistro, mas eu acho q desta vez ultrapassou esta expressao. Acho q direi assombroso. Assombroso pq é um dedo na ferida, é uma verdade q é omitida em diversas formas. É tão contraditório da parte do governo aplicar uma prova q nao esta no nível de educação q eles oferecem...
ah, ja ia me esquecendo, estamos no Brasil ¬¬
Questão muito interessante levantada. O problema é muito mais profundo do que as medidas que o Estado "toma" para resolvê-las. Mas a política educacional do nosso país sempre se baseou em tapar o sol com a peneira. Realmente é uma pena ver que nossos governantes, ao invés de tentar fazer as escolas públicas chegarem ao nível das particulares, simplesmente tentam limar quem felizmente teve condições melhores de estudo.
Depois disso, só consigo imaginar o Lula vestido de espartano e gritando THIS IS BRASIL!
Assunto delicado!
Sempre fui estudante de escola pública, e sei na pele, a realidade do ensino.
Concordo perfeitamente com o Marcus, nossos governantes deveriam sim aumentar o nível da educação nas escolas da rede pública. Porém sabemos que isso é um processo lento e extremamente complicado.
Vejo as cotas sim, como uma forma de tornar mais iguais os direitos entre os estudantes, tanto de escolas públicas quanto de instituições privadas.
Parabéns pelo texto!!!
Bjos!
pra mim cotas eh a prova q nem o estado acredita no proprio ensino e tem q reservar vagas pra estudantes da rede publica, isso ferra totalmente um aluno q eh de origem simples mas q porem tem bolsa numa escola particula. Sistema falho pra mim.
ponha http://aduanapt.blogspot.com/ na sua lista de blogues e clique nele que eu ponho o seu na minha
Eu protesto!
Como o banquinho entrou numa fase de polêmicas! Agora vai chover comentários!
A grande questão, senhorita, é que as universidades públicas se tornaram, ou sempre foram, existe um debate entre os historiadores, o lugar simbólico de formação da elite cultural do país. Até aí tudo bem! Há até um ditado na academia que diz que os alunos não podem sair da faculdade da mesma maneira que entraram.
No entanto, em nosso país, as universidades públicas estão povoadas de pessoas que poderiam pagar uma universidade privada enquanto a universidade privada está povoada de pessoas que: ou não podem pagar ou que precisam de algum incentivo do governo para concluir sua formação (PROUNI).
Dessa forma, a universidade pública se torna um espaço de aumento das desigualdades sociais, justamente pelo nosso consenso de que a universidade pública possui um maior conceito no mercado de trabalho. Além de formar uma elite cultural, forma também uma elite econômica.
Dentro dessa perspectiva, a questão não é saber se o estudante da escola privada “rouba” a vaga do aluno da escola pública. A questão é que o processo de seleção para entrar numa universidade pública é “viciado”. Um sistema “viciado” é aquele que dá a falsa sensação de igualdade de condições: todos fazem a mesma prova e estão nas mesmas condições. Todavia, o percurso anterior dos alunos não é discutido. O exemplo fictício do seu vestibulando de medicina demonstra isso. Todo aquele preparativo tem um custo financeiro que não pode ser arcado pelo aluno da escola pública. É como comparar um atleta de alto rendimento com um atleta de fim de semana e fazê-los competir: ambos possuem duas pernas, ambos precisam correr exatamente a mesma distância. Entretanto, não causa surpresa ver que o atleta de alto rendimento chega à frente do outro.
Você colocou um dos problemas: a baixa qualidade do ensino. Você rebateu o argumento dizendo que os alunos das escolas particulares não têm culpa disso. Com certeza você tem razão. Assim como os estudantes das escolas públicas não possuem responsabilidade pelo ensino que o Estado fornece para eles. Há, então, dois grupos sociais criticando a atuação do estado: os estudantes das escolas públicas, por não fornecer uma educação de qualidade e os alunos das escolas particulares que se acham discriminados por terem uma condição social mais favorável.
Acredito que a solução seja o maior investimento do Estado na educação. Eu e a maioria da população. Contudo, há um problema imediato: gerações de pessoas que se formaram na escola pública de baixa qualidade e que querem cursar uma universidade, de preferência pública e de qualidade. Para tais gerações, as cotas são necessárias. Com as cotas, de uma maneira geral, são estabelecidas dois processos seletivos: entre os alunos das escolas públicas e entre os alunos das escolas privadas. Os melhores dos dois processos entram, o que garante uma possibilidade de ascensão social para aqueles que seriam excluídos caso fossem concorrer com os alunos das particulares.
Penso que os ambos os alunos devem utilizar a questão das cotas para discutir uma mina de ouro da educação brasileira: o vestibular. É um sistema excludente, não demonstra o aprendizado e é ferramenta para a “indústria” dos cursinhos particulares. Se existem 100 vagas para uma determinada área e uma procura de 3000 alunos, é sinal que não estamos procurando escolher os melhores, mas sim estamos desejando excluir a maioria. Isso tem um nome: vestibular.
http://kadudiaz.blogspot.com/
Rá! É hora da propaganda! O texto "Vida de professor, ou como não ter anthropological blues" é um primor.
Recomendo para todos!
Que tal uma parceria?
Gostaria de trocar link com todos vocês!!!
O meu é http://www.fabiomelo.net
O que acham?
Abraços!!!
q saco, ler merchan de um anonimo nos comentarios.
Só para deixar registrado, meu link não é figurinha e eu não fico trocando com ninguém.
Só entra nos favoritos do banquinho o blog que eu ler e gostar.
E ficaria feliz se os blogs que linkam o banquinho tiverem a mesma ética.
Grata.
Blogs: serious business! xD
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O que acham?
Abraços!!!
@Isabela -> Desculpe ... saiu anônimo sem querer ... meu "auto-completar" não funcionou ...
@Laila -> Desculpe pelo recado ... tentei apenas fazer novos amigos, linkar pessoas que discutem assuntos semelhantes. :(
Fazer o q né ...
Bjos a todos!
--
Fábio Melo
Oh Fábio, não foi só do seu recado que eu reclamei. Vc leu o texto e até deu opinião no comentário de cima! O problema maior é que se juntaram muitas propagandas em um único post, inclusive de gente que nem leu (parece)
"Advogado: Todos são iguais perante a Lei e devem concorrer às vagas igualmente, e deve passar quem obtiver a maior nota."
homem primata, capitalismo selvagem... ôôô...
sem levantar bandeira e sem aquele papo de que "é tudo culpa do capitalismo"... mas, infelizmente, tal afirmativa apenas reforça a esquizofrenia do mundo atual. a posição do texto se coloca mais contra as cotas do que realmente a favor de uma melhoria no ensino público...
Ih, dá até preguiça de falar sobre isso...mas vamos lá:
todo mundo sabe que isso é uma tentativa do governo de "tapar o sol com a peneira", e na verdade, todo mundo sabe que não adianta nada colocar o aluno lá dentro, porque se ele não conseguia acompanhar o ensino na escola, não é na faculdade que as coisas vão mudar. Assim, o que se consegue é uma grande desmotivação por parte de pessoas que deveriam ter um ensino honesto e uma vida decente.
A maioria dos alunos de colégio público já começam em desvantagem na barriga da mãe,acho que a mudança tinha que ser feita só um pouquinho antes da faculdade, né?
Laila, o texto ficou ótimo, tente mandar pra Megazine ou alguma revista do tipo. Aqui vai a dica: procure nos preferidos do meu blog o link "Revista em Branco"...acho que eles publicariam.
Beijos!
Olá Antonia! Não consegui entender muito bem o que você quis dizer com suas colocações.
Não sei se "todo mundo sabe" que as cotas são, meramente, uma obra do governo, ou do populismo do governo. Pelo que eu vejo há uma quantidade considerável de instituições, organizações não governamentais e movimentos sociais que apóiam as cotas.
Nesse sentido, falar que a reserva de vaga é uma medida do governo é parecido com a velha questão das aulas de História ao falar que a abolição fora obra da "bondade" da princesa Isabel, esquecendo assim das campanhas abolicionistas. Claro é que as cotas podem ser utilizadas para "tapar o sol com a peneira", caso a sociedade não a discuta.
Através da metáfora da desigualdade já no útero da mãe parece que voce concorda que o Estado deveria investir mais na educação básica. Contudo, não vejo nenhuma contradição em defender as cotas e, também, um maior investimento na educação básica. Já você,parece-me, construiu o seu texto opondo as cotas e a melhoria da educação.
Por fim temos a volta do seu "todo mundo sabe": que não adianta colocar pessoas não preparadas para cursar uma universidade. Também concordo com você. Não é por bondade, nem por decência que existem programas dentro da Universidade como disciplinas de reforço para que o aluno "recupere" o tempo perdido e possa acompanhar o ritmo da universidade.
Abraços!
Seu texto, Sanger Regnas, é brilhante. Seu ponto de vista, na verdade, é um completo observatório, e não apenas um ponto de vista. Parabéns.
Então as faculdades agora estão formando profissionais com uma base deficiente, que não sabem escrever uma redação e cometendo verdadeiros delitos para com a nossa querida e já maltratada língua portuguesa. E assim caminha o povo brasileiro, com o presidente da república como melhor exemplo.
Laila. Acho que seu texto revela um corporativismo que não devia ter mais lugar no mundo de hoje.
não concordava com a política das cotas até ler metade dos cometários repletos de preconceitos e de um tão exarcebado que chega a dar nauseas.
é muito fácil ficar "defendendo o feudo" e falar que faz isso contra a medida do governo de "tapar o sol com a peneira".
ninguém impediu os alunos da rede particular de conquistar uma vaga nas universidades públicas. apenas estes irão competir entre si igualmente. isso enquanto os alunos da rede pública irão competir entre si, não sei se tão igualmente assim, tendo em vista a diferença que existe entre a estrutura do ensino dos colégios de aplicação (CAPs) das universidades e os colégios públicos estaduais e municipais "normais".
de qualquer forma, tá equilibrado: meio a meio. e quem não aprendeu a repartir na "escolinha da coroca" vai ter que aprender isso na marra hoje. afinal, pode ser um bom exercício deixar de olhar apenas para o próprio umbigo: dói menos o pescoço.
Queridos,
A questão é a seguinte: quando nos posicionamos a favor das cotas, estamos contribuindo para que os responsáveis pela educação brasileira achem que “já fizeram a parte deles”. É completamente plausível que um aluno que vai concorrer ao vestibular dentro de um ou dois anos, seja a favor das cotas, e provavelmente eu também seria. Acontece que, já que falaram sobre “olhar para o próprio umbigo”, isso é de um egoísmo sem fim, pois se uma medida maior começasse a ser tomada, os alunos que concorrerão dentro de cinco ou dez anos, não precisariam passar pelo constrangimento de entrar em uma faculdade e ficar abaixo da média em Português básico. Além disso, ainda temos a questão do preconceito: é claro que um aluno que entrou por cotas vai ser encarado de forma diferente pelos colegas, é chato admitir, mas o que não falta é gente boçal. Eu vi isso, não foi o William Bonner que me falou, não. Quanto ao apoio que as universidades dão aos alunos, seria ótimo se existisse, mas eu nunca vi. E se temos condições de apoiar os alunos na universidade, por que não fazer isso no colégio? O que eu acho? As cotas podiam até valer durante três anos, que é o tempo de melhorar o segundo grau dos colégios públicos, mas deveriam ter sido mais organizadas e bem pensadas, as medidas deveriam ter sido bem elaboradas, de forma que valorizasse os esforços de todos, e não jogadas na nossa cara do jeito que foram.
ps: um bom debate é baseado na educação e cordialidade por parte dos participantes. Seria legal se as pessoas evitassem falar de forma grosseira e desprovida de informação sobre os participantes. Eu dou aulas em um pré-vestibular comunitário e vejo bem de perto essa realidade, sendo uma das mais interessadas em uma educação decente.
Mais uma vez, Laila, parabéns pelo blog!
Não vos exalteis, caros leitores. É polêmico, mas não é motivo para discussão.
Obrigada pelos parabéns, Antônia =)
E só uma obs.: Tenho a impressão de que Fernando, Fábio e FAFC são a mesma pessoa, só mais uma pessoa, se é que a pessoa entendeu.
Laila. FAFC e Fernando são a mesma pessoa. Fabio, não sei quem é. FAFC são as iniciais do meu nome todo (Fernando Augusto de Faria Corbo). Usei o "Fernando" no meu segundo comentário por puro acidente. É até mais identificador do que o FAFC, como costumo me identificar nos blogs. Que fique muito claro que não tenho a menor intenção de me esconder das minhas próprias opiniões e comentários. Afinal, minhas críticas, positivas ou negativas, se destinaram aos posicionamentos, ao bom debate e não à pessoa dos seus respectivos autores. Um abraço a todos.
Laila. Talvez você tenha ficado chateada com a minha opinião sobre o corporativismo. Chamo de corporativismo o hábito de as pessoas colocarem os interesses de seus próprios grupos à frente dos interesses da comunidade, da sociedade, do país. Não vejo motivos para se ofender com essa opinião. E nem para achar que há uma exaltação nela. Eu não entendi o seu comentário na observação ("só mais uma pessoa, se é que a pessoa entendeu"). De qualquer forma, fica o meu esclarecimento.
Aha! Não contavam com a minha astúcia! rsrsrs
Acertei 50% e errei 50%
São a mesma pessoa, mas não são quem eu pensava. O "só mais uma pessoa" era para identificar se você era quem eu pensava que era.
^^
Outra obs.: Creio que as próprias cotas sejam um exemplo da sua definição de corporativismo, já que defendem justamente o tratamento privilegiado de uma certa classe (ou grupo, se preferir) em relação à comunidade, à sociedade, ao país.
Laila. Não sou a favor dessa política de cotas. Mas também não acho que ela tenha surgido de atos de corporativismo. Ali, não há defesa de privilégios. Há, na verdade, uma tentativa equivocada de oportunizar uma concorrência mais igualitária.
Em parte concordo com a Antônia, acho sim que as cotas devem acabar, mas não no momento. Antes é necessário que o ensino seja reformulado nas escolas públicas. E isso não muda da noite para o dia. 3 anos não são nada ... trabalho em uma unidade pública de ensino, e sei de perto as dificuldades enfrentadas por esses alunos.
Falar que cotas "são injustas" acho algo extremamente "meu umbigo = egoísta".
Tenho alunos que mal tem tempo pra estudar fora do colégio, pois precisam trabalhar e ajudar no orçamento familiar.
Acredito nas cotas e vejo isso como um meio de tornar a sociedade mais justa e diminuir nossa exorbitante desigualdade social.
Bjos a todos!
PS:
Ah, eu sou o Fábio Melo, não sou o "Fábio" não ... :)
A partir de agora vou postar com minha conta do google para evitar confusões!
Bjos"
Cara Antônia,
considero realmente você uma pessoa otimista:
"As cotas podiam até valer durante três anos, que é o tempo de melhorar o segundo grau dos colégios públicos..."
você realmente acredita que o problema do ensino público no brasil está apenas na formação do ensino médio? você acredita que todo o problema educacional da rede pública de ensino do brasil seria resolvido em apenas 3 anos?...! particularmente, se realmente alguém acredita nisso é muita ingenuidade... não quero ofender ninguém, mas mudanças históricas [e acredito que isso não é um exagero da minha parte] demandam muito mais tempo.
agora, se você me pergunta se concordo que medidas como estas são tomadas no brasil para naturalizarem uma situação caótica? é lógico que concordo. não sou tão burro e tão cego assim... mas, convenhamos: se nem isso for feito, o que será?
conheço as dificuldades de se estudar em uma escola pública. sempre estudei em escolas estaduais e municipais. apesar disso, o vestibular em que fui aprovado foi o último "normal", sem cotas: o vestibular uerj 2002. mas, para alcançar a aprovação, tive que fazer um ano de cursinho.
conheço tal realidade tanto do ponto de vista de educando como de educador. sou professor da rede municipal na baixada fluminense. conheço o problema ao ponto de saber que 3 anos de cotas NÃO vão resolver o problema da educação no país. e o que se faz enquanto isso? senta e chora?
continuo considerando egoísmo sim. o buraco é muito mais embaixo... isso pq, nem os alunos de escolas públicas disputam entre si de igual para igual: há de se ter em vista os colégios de aplicação das universidades públicas, os cefets, faetecs, os pedro II da vida...
além do mais, tem outro ponto esquecido ao que tange o vestibular do rio de janeiro: diferentemente do que acontece em são paulo (onde o vestibular é unificado), um mesmo candidato pode cursar duas faculdades públicas ao mesmo tempo. um absurdo! que se faça a escolha por apenas uma. pois, o que acontece na grande parte das vezes é que o povo se matricula nas duas, desiste de uma delas e esquece de desistir da vaga. ou seja: impede outro candidato na lista de espera ingressar na vaga ociosa. e digo mais. da minha turma, dos 40 que entraram, pelo menos uns 10 faziam puc-rio, unirio ou ufrj junto. 9 desistiram sem nem ao menos colocar a vaga a disposição. apenas uma, só uma desistiu de fato do curso, o que possibilitou a entrada de uma outra menina em lista de espera. detalhe: os tais 9 eram de classe média-média, média-alta... e você ainda acha que não se deve pensar o movimento contra as cotas como corporativo ou egoísta exacerbadamente?
Como as coisas evoluiram por aqui desde meu ultimo comentário! Continuo defendendo minha posição de aluna regular e cheia de dificuldades que nao apoia cotas pra estudantes de escola publica e nem pra negros(pois eles não são inferiores a ninguém). Pra mim o vestibular já não é fácil, passar pela peneira da aceitação sempre é difícil, ainda mais quando se é uma aluna regular. Com cotas, esta peneira pra pessoas como eu, fica ainda mais estreita. É egoísmo meu querer passar? Eu não acho, e digo isso por que tem muita gente no mesmo barco que eu. Estudamos em colégio particular, porém também temos lá nossas dificuldade. Esta imagem de "exterminadores de vagas" que toda massa estudantil de instituições particulares leva eh realmente errada.
Querido Fábio,
Se só o Rio de Janeiro tem como levantar o mastodonte que é a Cidade da Música, por exemplo,em tão pouco tempo, temos dinheiro para dar um gás no Ensino Médio, sim, e pra começar a melhorar as condições de ensino no país. Temos muito essa mania de dizer que não dá, que não pode, que não vai dar tempo. E quando vai começar a dar? Três anos não são suficientes? Puxa, quantos então? Dez, vinte, cinquenta? E até lá fazemos o quê, dizemos que "os governo são tudo culpado" e continuamos com essa política injusta e ineficiente?
Aceitar as cotas é fechar os olhos para o desdém com que a educação é tratada no Brasil.
Laila, blog bombando, hein?
Concordo com você Isabela,
Negros são iguais a todos, porém a realidade não é exatamente essa, a sociedade define um padrão de beleza como sendo loiro e de olhos claros,e os negros, viram até substantivo pejorativo.
"Neguinho é foda, comeram toda a sobremesa"
Bjos!
Blog bombando mesmo!!!
Nada, metade dos comentários eu acho que são meus ou da isabela rsrsrs
Só a título de curiosidade: para passar em jornalismo na UERJ o aluno não cotista precisa obter a nota mínima de 75,75 pontos. O aluno que for deficiente/indígena/filho de policial ou bombeiro morto ou inválido pelo serviço passa tranquilamente se obtiver uma média MÁXIMA de 25,75 pontos, isto é, 50 pontos a menos (metade da prova).
A alguém aqui isso parece justo?
Vou ser meio veemente agora, mas ninguém passa ou deixa de passar pelo padrão de beleza. Até porque prova nenhuma vem com foto e eu não vejo banca nenhuma falando "ah esse lourinho aqui é bonitinho, dá 10 pra ele".
shuahsauhsuhha, não pude deixar de rir da sua irônia, colegah.
Fico pensando no caso de uma pessoa bem rica e que é negra, esta pessoa estaria melhor do que metade de nóis e por causa da cor estaria dentro do sistema de cotas. Quanto a imagem, eu concordo com a autora, não tem essa pra quem tá na banca não. E sinceramente, se eu pensasse assim me sentiria mal, pois além de não fazer parte da bonitinha padrão, ainda sou de colégio particular, tenho dificuldades, ou seja, acho q desistiria da vida de vestibulanda.
Passar pelo padrão de beleza não, mas as oportunidades de emprego e como consequência uma ascensão social estão intimamente ligadas ao padrão de beleza impostos pela sociedade.
Preconceito esse existente sim na nossa sociedade ... criando cada vez mais jovens sem esperança de um futuro melhor e uma condição de vida mais digna.
Por isso defendo tanto as cotas ... tanto para os "pobres" quanto para os negros. ... Vejo as cotas como um meio de encurtar essa enorme diferença imposta pela sociedade ... que é altamente preconceituosa.
Quando vemos um jovem pedindo dinheiro no sinal, logo o conceituamos de marginal, mas o que realmente levou ele a isso? Será que faltou oportunidades para ele? Será que não ouve boa base familiar em sua criação?
Acho que direitos iguais devem ser aplicados aos de iguais condições.
Não querer aplicar o mesmo critério a todos pode até ser desconsiderar valores pessoas, porém se tratarmos todos iguais, aposto com você que aumentará ainda mais a desigualdade social em nosso país.
Porém não vejo as cotas como a solução dos problemas ... vejo como uma forma de democratizar o ensino superior nos dias de hoje.
3 anos Antônia, não são nada ... dou no mínimo 5 para mudarmos a base de nosso ensino.
Quando começarmos a mudar a forma de educar, aumentarmos a carga horária nos colégios públicos, tivermos uma estrutura de ensino desligada da decoreba ... um ensino padronizado, aí sim ... todos de igual para igual poderão competir.
Abraços!
Olá para todos!
Bem, agora todos que todos já explicitaram suas posições em relação às cotas, podemos discutir a opinião de um e de outro. É o que vou tentar fazer nos próximos tópicos.
Marina: O presidente Lula não possui diploma universitário pois ele nem fez faculdade, assim como a maioria da população brasileira. Ele não é exemplo para entrar numa discussão sobre cotas;
Antonia: Não concordo que ser favorável a política de cotas é acreditar que os políticos estão fazendo a parte deles ou que os políticos acharão que a educação está num bom patamar. Vou escrever três razões para isso: o processo seletivo, chamado por nós de vestibular, não é o método para avaliarmos os caminhos/descaminhos da educação. Para isso temos o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) , a Prova Brasil e o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e outros. Segundo argumento: se pegarmos a própria LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) não vamos encontrar o artigo que diz que o objetivo da educação é passar no vestibular. Terceiro argumento: as próprias cotas, por existirem, já demonstram um desnível entre a educação pública e a educação privada. Eu acho positivo que o Estado legitime as cotas comprovando a má qualidade de ensino fornecido por ele.
Você fala sobre a necessidade de uma medida maior. Eu também acredito nessa medida maior! No entanto, como já disse, defender as cotas não excluí pensarmos como seria a tal medida maior.
Sobre a questão do preconceito, aí já estamos entrando nos chamados problemas estruturais do Brasil. Falar que as cotas promovem o preconceito, no sentido de que as pessoas “injustiçadas” olharão com desdém para os cotistas é, no mínimo, ingenuidade. Vamos pensar na seguinte situação: Estados Unidos na década de 60. Existe um ônibus e uma lei que diz que os negros são obrigados a sentar nas ultimas poltronas. Todos estão felizes e contentes até que surge um negro que fala que quer sentar numa poltrona da frente. Uma maior confusão se instala e uma pessoa fala que a culpa de tudo é daquele negro que não quis se sentar no seu lugar de direito. Se ele tivesse ficado “no seu lugar de origem” tudo estaria bem...
Não é difícil achar hoje que tal situação é absurda. No entanto o argumento de que as cotas promovem o preconceito compartilha da mesma essência. Você está identificando um problema, mas está sugerindo uma origem equivocada para ele. É o nosso preconceito, ou no caso, o racismo que gera mais racismo e preconceitos. Devemos então nos perguntar em que lugar guardamos nosso racismo.
Por fim, Antonia, você falou que não existe programas para evitar a saída do aluno que entra pelas cotas. Aqui você está equivocada, pelo menos no âmbito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Temos o PROINICAR que fornece disciplinas básicas para os alunos com dificuldades; Temos o programa jovens talentos da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro) que garante uma bolsa de 250 reais durante o curso para o aluno. Há boatos que, no próximo semestre, os cotistas ganharão vale transporte eletrônico.
Já escrevi demais.
Abraços!
Fábio Melo que não é o Fabio, você poderia ter usado qualquer um dos zilhões de argumentos a favor das cotas que todos estamos cansados de ouvir, mas esse do padrão de beleza não cola.
As provas, como já falei, não têm fotos, e isso não é só no vestibular, é também nos concursos públicos etc etc.
Não sei se são TODAS, mas sem dúvida grande quantidade das empresas estão sim preocupadas com a qualidade dos funcionários, e não com o padrão de beleza deles.
Além do mais, se isso fosse um fato, deveriam existir também cotas para gordos, narigudos, banguelas e assim sucessivamente até beneficiar todos que não são "louros, magros de olhos azuis e pele branca dourada no sol saudavelmente".
Esse argumento de "ahh estou fora do padrão europeu de beleza e preciso que a minha entrada no mercado de trabalho seja facilitada pelo governo" me parece é bem comodista, isso sim.
Torna-se indispensável citar o superobama, que fez uma campanha estratosférica com a imagem que ele tinha e hoje exerce a presidência (!) de um país de colonização europeia.
E mais: se formou em Harvard.
E lá nem tem cotas.
Não falou pouco mas falou bunito (Y)
O negro não é menos capaz que o branco. Não há porque favorecer um grupo de pessoas que só se diferem na cor, isso pra mim é querer tratar o racismo com mais racismo. Parece que está dizendo: vamos dar uma vantagem pra eles, pois só assim eles conseguem.
Não consigo ver outra imagem pra cotas raciais do que esta.
o problema é que a discussão acaba sempre emergindo pra superfície do problema... olhar só pro espelho d'água sem entender a dinâmica mais profunda das águas é reduzir o problema.
aceitar as cotas não é [pelo menos, não podemos deixar ser] um fechar de olhos diante do quadro da educação pública brasileira. pelo contrário: devemos sim exigir que seja uma medida provisória. agora, é muito fácil falar que a culpa é do governo e blá, blá, blá como se nós também não fossemos coniventes com a situação. inclusive endossamos o discurso quando menosprezamos o presidente como analfabeto, burro e outras coisas mais como se o simples fato de possuir um diploma superior nos tornasse o "povo eleito".
agora, vamos pensar no comentário da laila:
"deveriam existir também cotas para gordos, narigudos, banguelas e assim sucessivamente até beneficiar todos que não são "louros, magros de olhos azuis e pele branca dourada no sol saudavelmente".
Esse argumento de (...) me parece é bem comodista, isso sim."
o que me parece que as ações afirmativas foram encaradas no comentário de forma muito superficial. pq, se seguimos esta linha de raciocínio, vamos inclusive negar o acesso a pessoas portadoras de necessidades especiais. o grande problema de comentários como este é a generalização da questão exemplificada por uma situação completamente diversa da nossa. Obama é filho de intelectuais: o pai era economista, a mãe era antropóloga. logo não serve como exemplo para o quadro brasileiro em que 57,9% dos universitários são brancos contra apenas 25,4% são negros. isso porque devemos considerar a proporção de brancos para negros/mestiços em nossa população. além disso, devemos considerar que apenas 10,7% da população brasileira cursou ou está cursando o ensino superior. nos estados unidos o número é três vezes maior: 36% da população norte americana concluiu o ensino superior.
Não acredito que haja ingenuidade nesse blog. Não creio que alguém aqui ache que o sistema de cotas raciais envolva "padrão de beleza". Não há como negar que o número de negros bem sucedidos no País é ínfimo. E também não há como ousar discordar de que a grande maioria dos negros é miserável. A causa disso tudo também é incontroversa (acredito). Daí eu poder achar que as intenções são boas. Mas, infelizmente, não acho que a reserva de vagas universitárias para os negros vá resolver esse problema, porque não é, definitivamente, o diploma de graduação que faz do graduado um profissional bem sucedido. O buraco é mais embaixo.
Nem preciso dizer o quanto isso rende discussão. Só pela quantidade, qualidade e até pelo número de palavras utilizados aqui nos comentários, já deu pra ver que não é um assunto pra ficar abandonado numa gaveta.
Eu já passeiem faculdade pública (e o pior, desperdicei parando no 4º mês). E eu sempre estudei em escola pública. Não sei se estou muito idoso (trintão mode:on), mas quando eu estudei o (hoje denominado) fundamental e o médio, as esclas eram boas... Para quem quisessse estudar. Tantos que conheço que fizeramcursinhos e estudaram em escolas particulares durante um tempão e foram tentar vaga e reprovaram... É phoda!
Fábio que não é Melo, a intenção do comentário não foi endeusar o Obama, nem o centro da questão foi mostrar o acesso dele à universidade, e sim de mostrar que o padrão de beleza não o impediu de vencer a eleição.
Sou professor de História e adorei o seu texto, Laila. Vou usá-lo para uma reflexão com os meus alunos do 3o. ano. Não quero alimentar falácias, logo, não vou identificar os "blogueiros" que estão buscando ofuscar o seu brilhantismo, me reservando ao direito de aconselhar a todos a se informarem também sobre como está o nível do ensino particular, que como demonstra a "Folha OnLine", por exemplo, só 1/3 é adequada. Ao mesmo tempo, é possível encontrarmos escolas públicas elitizadas e com níveis satisfatórios. Logo, como ficam estes dois tipos de candidatos em relação ao vestibular? Quem é o desprivileigiado? Que tipo de solução encontraremos?
Outro grande discurso aqui presente - as cotas para negros. Concordo com uma idéia amplamente difundida pelos defensores deste "tipo de cotas" de que esta parcela da sociedade ficou economicamente fragilizada devido a sua situação histórica associada a escravidão que atravessou séculos; porém, muitos brancos também possuem situação de pobreza associada a grandes questões históricas, como por exemplo, a intensa exploração do trabalho imigrante entre os séculos XIX e XX. Polêmicas...
Um cordial abraços a todos!!!
(Arlen - RJ)
Parabéns....concordo com as saus provocações.....
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