
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Crianças desaparecidas

sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Soprando velinhas

domingo, 20 de setembro de 2009
Augusto e eu
O tempo passou e eu parei de desviar os olhos e passei a ouvir o que ele tinha a dizer. Do quanto a vida é curta, a dor é grande e os amores são cruéis. E inicialmente eu discordei de tudo. Depois, só bem depois, foi que eu vi que não precisava concordar ou não com ele: era simplesmente uma questão de reconhecer que aquela era a verdade dele e respeitá-la.
Foi aí que eu vi que Augusto mexia comigo mais do que qualquer outro. Depois das palavras dele, eu pensava por muitas horas, e várias vezes chorei. E vi o quanto a verdade dele podia ser tão verdadeira às vezes.
Alguns dizem até gostar de Augusto, mas que ele é boa companhia somente nas horas de tristeza ou desespero. Eu já acho justamente o contrário: só se deve procurá-lo nos dias de sol, quando se está absolutamente bem resolvido com a vida e os amores. Primeiro porque, apesar de compreensivo, ele não é muito consolador e apresenta algumas ideias suicidas. Segundo porque ele sempre oferece bebida e cigarros nessas ocasiões, e eu não aprecio nenhuma das duas coisas.
Então, caro leitor, no seu dia de sol quando for encontrar Augusto, é muito provável que ele diga todas as coisas de sempre. E quando ele disser que a felicidade não existe você vai sorrir, apontando para si e dizendo "existe sim, olhe aqui" e ele vai balançar a cabeça descrente e acender um cigarro. Você vai voltar para sua vida e seus amores muito mais ciente da real existência deles e vai pensar "Augusto, seu tolinho, você não sabe o que está perdendo".
Não, ele não sabe. Mas graças a ele você sabe o que está ganhando.
Augusto.
Dos Anjos.
Poeta naturalista.
Nascido em 1884.
Para quem não teve a honra de conhecê-lo ainda: http://www.releituras.com/aanjos_versos.asp
http://www.jornaldepoesia.jor.br/augusto03.html
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Blog Day 2009

As regras são as seguintes: cada um deve indicar em seu blog cinco blogs alheios, de preferência que tratem de assuntos e culturas diferentes da sua.
sábado, 22 de agosto de 2009
"Pega a faca e mata!"
Outro dia me deparei com o álbum mais ferrenhamente vegetariano que já vi. 95 fotos de pura militância anticarnívora. Quando cheguei à 40ª foto, já estava considerando a hipótese de me tornar herbívora até que ouvi o chamado de "quem quer hambúrguer!?" e fim da história.
Neste meu curto tempo de vida até agora já ouvi absurdos como "eu não como carne, só como picanha" e "eu sou vegetariana, mas como nuggets". Claro que isso dá o que pensar. As pessoas não comem carne por diversos motivos, algumas por gosto, outras pelo peso e muitas por filosofia de vida. Gosto e peso são problemas muito pessoais, então vamos à filosofia.
É comum ouvir grandes dissertações sobre as emissões de metano causadas pelas criações de gado mundo afora. Acontece que os aterros sanitários, onde é depositada a maior parte do lixo orgânico mundial, emitem muito mais metano. E o lixo orgânico, além de restos de carne, inclui também saudáveis e puros restos e cascas de vegetais e frutas. Ainda sobre o monstruoso aquecimento global, é importante dizer que os adorados computadores em que os respeitáveis vegetarianos divulgam suas idéias verdes são produzidos em sua maioria por empresas de capital norte-americano, sendo que os EUA nem assinaram o protocolo de Kyoto.
Outro argumento muito comum é a crueldade com os animais, e é aí que eu chego ao verdadeiro assunto do texto: a crueldade. A crueldade está cada vez mais cruel. Se hoje eu digo que não dispenso um bom churrasco, que o queijo não é a mesma coisa sem o presunto e que não tem palmito que substitua um molho à bolonhesa tem gente pronta para me chamar de assassina. Porém, muitos fecham os olhos para as crueldades cometidas nas touradas, nos rodeios, nos circos, nas rinhas de galo e nos reality shows que divertem todo o mundo.
Reality shows? É, eles mesmo. Afinal, o que poderia render mais Ibope que tortura humana, seja ela física ou psicológica? Que tipo de humanidade senta no sofá para assistir pessoas comendo olhos de cabra, embriões de pintinhos, peixes vivos e outros "alimentos"? Todos prontos para passar por cima dos seus escrúpulos, dos seus valores e dos seus limites para ganhar altas somas de dinheiro. E os filmes? As tropas de elite da vida? Tortura esgota bilheterias.
Crueldade.
E antes que venham com grandes discursos dizendo que a culpa é do capitalismo, que ele torna as pessoas selvagens, estejam os senhores leitores devidamente lembrados que as execuções públicas já eram atração há mais de 2 mil anos e que os combates entre cavaleiros divertiam a sociedade feudal.
A crueldade parece quase inerente. Se a humanidade não evoluiu a ponto de se tornar boa consigo própria, imagine tornar-se piedosa para com os animais. Antes defender a própria espécie! Se bem que, com essa crueldade toda, nem sei porque me dou ao trabalho.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
O Baú de Espantos e o PC
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Falsos pudores
3 Pundonor, recato, seriedade.
Verdadeiro.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Catarse ha-ha-ha
humor político se classificaria melhor em "inteligente" que em "barato", mas é bom não confundir: é humor barato versão política. Brasileiro, pois não tenho vivência no exterior para saber como é por lá. Ficou tudo tão engraçado que tem gente se esquecendo até de ficar sem graça.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Posse
Obs.: O Banquinho está no jornal! O artigo sobre o novo ENEM está na edição 37 do Valença em Questão, que saiu na quinta feira. A edição está especialmente voltada para a Educação, e está disponível para baixar no blog do VQ (http://blogdovq.blogspot.com/).
terça-feira, 2 de junho de 2009
"Tá querendo"
domingo, 17 de maio de 2009
Sandice
oisa que o valha". Mas o que é isto, meu Deus?quarta-feira, 6 de maio de 2009
Descoberta
segunda-feira, 23 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
Reniversário
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Meu avô e o poeta
Outro dia a minha mãe fez uma observação que eu, incrivelmente, não tinha reparado: ele é a cara do meu avô. A mesma careca, as mesmas rugas, as manchinhas, o mesmo olhar de quem já viu e sofreu muito na vida e hoje não se detém mais a isso. O nariz, as rugas, tudo! Meu vô Delso:
Meu avô é um homem simples. As atividades dele são as mais frugais: sapateiro há mais de 50 anos, pesca sempre que pode, cria um milhão de passarinhos (exagero meu, claro, mas quando eu era menor era assim que parecia). Ele sempre se lembra de tudo: o queijo da minha mãe, o jornal de domingo para mim, a vagem que o meu irmão adora. Ele é casado com a minha avó também há mais de 50 anos, tem os mesmos amigos desde sempre e não abre mão da cervejinha na companhia deles em todo jogo do Botafogo. Ele senta sempre na mesma poltrona. Ele está doente.
Eu passei a ver meu avô como um poeta. A vida dele, tão absurdamente simples, chega a ser um poema vivo. O Mário Quintana colocou no papel toda a fugacidade da vida e a beleza das coisas simples dela. Cultivou um montão de palavras para falar sobre os passarinhos, plantas, peixes, estrelas e sonhos. Meu avô cultivou os próprios passarinhos e plantas, pescou os peixes e muitas vezes me mostrou estrelas e sonhos. Meu avô, que nunca escreveu um verso na vida, é para mim tão poeta quanto o príncipe dos poetas brasileiros.
Meu avô, o poeta.
Meu avô se internou ontem com problemas respiratórios. Você, que está aí lendo, se tiver alguma crença, peço que reze por ele. Para mim vai ter um valor enorme. Obrigada.
(13/02)Gente, meu avô vai ter alta hoje, obrigada pelo apoio de vocês!
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Nós, os imortais
Depois eu fui vendo outras coisas, sempre com a mesma impressão: eternidade. Acabar de ver algo bom ou ruim que vou poder contar para os meus netos e ver a carinha deles igual à que eu sempre fiz quando ouvia meus avós e bisavós contarem grandes fatos do passado. É algo impressionante, que dá uma sensação de imortalidade.
Hoje foi uma sensação dessa. É claro que vocês já sabem porque. Eu procurei me manter imparcial nas eleições americanas, e várias vezes fui indiferente ao Obama ou à vice escandalosa do McCain. Mas hoje, no juramento da posse, independentemente da qualidade de governo que ele faça daqui por diante, vi que o cara já virou imortal. E nós com ele. Nós vimos.
Yes, we saw.
Obs.: A M.A.P. não acabou, semana que vem tem mais. Só quis fazer do Banquinho um pouco imortal também.
=)
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Máquina do tempo
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Visão realista do tempo
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Não era.
No início do ano, ele ligou. Quis se redimir do bolo. Foram. Helena passou a tarde pensando: "se ele não tomar uma atitude, vou agarrar ele". E Luis não tomou atitude nenhuma. E ela também não o agarrou. Foi só um selinho.
Meses de vai-não-vai, até que ela resolveu botá-lo na parede:
_Luis, você tem algum sentimento por mim além da amizade?
_Olha, Helena, não posso dizer que não...
_Mas também não pode dizer que sim, né?
_Não é assim... é só que... eu não sei. Eu não gosto dessa cidade, eu vou embora ano que vem, e não queria nada que me prendesse aqui.
Começaram a namorar naquela noite.
Desde o início ela nunca mais foi a mesma. Ela queria conservá-lo a todo custo. Só agora via que não queria conservá-lo: queria tê-lo. Porque embora fosse dela, ela viu que nunca o teve. Era o mesmo aperto no estômago todas as noites. Aliás, todo o tempo. Ele viajava, ele se atrasava, e para ela sempre tudo bem.
Não durou nem dois meses. Ele chegou de viagem diferente, ela percebeu. Luis falou que precisava conversar com ela. E ela já sabia. Marcaram para a tarde. Na hora do almoço ela não quis comer, foi tomar banho. Cortou as pernas ao se depilar, se vestiu toda de roxo e foi.
Ele foi educado. A mesma conversa do início. Helena não sabia nem o que sentir. Não era a dor de perdê-lo, porque ela nunca o teve. Foi mais como uma batalha perdida. Batalha não, guerra. Ele disse que queria que eles continuassem amigos, ela disse que não conseguiria.
Eles se viam todo dia no colégio. Primeiro, ela cumprimentava. Depois passou a baixar os olhos. Um soco no estômago. Era assim que ela sentia quando o via, quando falavam dele. Seu consolo foi que seria um artigo definido na vida dele: A primeira namorada.
Nos momentos de maior orgulho dela, alguém sempre tinha que mencionar o Luis. Ainda que não fosse por mal. Não houve um só dia em que ela acordasse sem pensar "ano que vem ele vai embora e eu nunca mais vou precisar olhar na cara dele".
E agora, lembrando de tudo, ela chegou a uma conclusão: "não podia ter sido amor. Porque eu não quero que ele seja feliz. Foi doença, não sei o que foi. Queria ser a águia pra comer o fígado dele todo dia." E ela pensava nas lágrimas invisíveis, procurando um motivo justo para chorar de verdade.
Não era.
Não era.
Não é.
Meu primeiro conto!!
