Ainda muito nova vesti os óculos de Drummond, e nunca mais os tirei da cara. Desde então, esse costume adquirido de ver o mundo por detrás de suas lentes me acompanha, e estou quase certa de que irá comigo até a morte. Carlos Drummond está comigo assim como o ar à minha volta: a todo o tempo está ali, mas ocasionalmente, de súbito, tomo ciência da sua presença ao respirá-lo. Sinto o pulso do poeta a conduzir cada palavra que escrevo. Sinto a lâmina afiada de seus versos perfurar meu peito e atingir, fulminante, o coração.
O poeta está comigo quando caminho nas ruas de pedra de Valença, minha Itabira, e quando, no Rio, paraliso de surpresa e encanto sempre que vejo o mar. O poeta está comigo na força da memória, que não deixa cair da lembrança suas palavras. O poeta está comigo quer eu veja processos ou antologias, e tudo isso vejo partindo de seus óculos.
O poeta está comigo.
O poeta está comigo quando caminho nas ruas de pedra de Valença, minha Itabira, e quando, no Rio, paraliso de surpresa e encanto sempre que vejo o mar. O poeta está comigo na força da memória, que não deixa cair da lembrança suas palavras. O poeta está comigo quer eu veja processos ou antologias, e tudo isso vejo partindo de seus óculos.
O poeta está comigo.
