quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Alvorada


Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Precisa um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba, não
(...)
Fazer samba não é contar piada
Quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Vinicius e Baden

O samba não é consolo, não senhor. O samba não é para alegrar ninguém. O samba é companhia pra quem tem dor. Eu não acredito neste samba novo, todo cheio de festas, de trocadilhos. Um samba não é para te distraíres. O samba é redenção.
Redenção, sim. Eu disse que o samba não é para alegrar, mas não disse que ele não cura a dor. Sim, porque para a dor passar, não tem saída: remédio é vivê-la. E eis a dor no samba, lírica e pura, sem ostentar tristeza pra ninguém. Uma dor bela e sem luxo, que na sua simplicidade busca somente desaparecer. Como uma lágrima.
Acho que a vida da gente devia ser assim feito o samba. Demonstrar alegria quando se está contente e tristeza quando infeliz, sem depender de motivos extraterrestres para um sentimento ou outro, reconhecendo que todo mundo vive e viverá ambos, religiosamente da mesma forma. Sim, porque o sentimento iguala a todos, e o que fez Cartola rir ou chorar ontem, é o que nos fará chorar ou rir amanhã.
E o mais importante: a plena consciência a cada alvorada de que é melhor ser alegre que ser triste, que alegria é a melhor coisa que existe. E a vida é isso aí mesmo.




Olá, gente bonita! Este Banquinho fez três anos semana passada, mas está tão novinho que ganhou até página no Facebook! Está aí o link, pra quando tiverem um tempinho https://www.facebook.com/pages/O-Banquinho/250774584961029

5 comentários:

Prof. Alexandre Fonseca disse...

"Eu não acredito neste samba novo, todo cheio de festas, de trocadilhos."

Tampouco eu, senhorita, tampouco eu.

Marina disse...

Esse texto fez o meu dia, Laila. Eu amo o samba raiz, o que cura a dor. Amo o samba que não se faz mais.

Numa época em que só tem alguma coisa na cabeça quem gosta de rock, eu amo mais o samba.

Beijos.

Edison Junior disse...

Muito bom, Laila!

Charlie Dalton disse...

Engraçado que foi eu terminar de ler este post e eu lembrei do "Samba de Ninar" de Djalma Pires. Não sei se essa música se enquadra como samba de raiz, mas tem essa história de ser como uma lágrima que serve para levar embora uma tristeza.

Aliás, lindo post. Gostei de ter caído de gaiato no seu blog. :) http://letras.terra.com.br/djalma-pires/752441/

Processo disse...

Eu adora a música brasileira, seja para tristeza, seja para alegria. Tenho lá muitos postes assim. O último - "Oração ao Tempo", com a Maria Bethânia! - é um achado.
Vasconcellos Rego no blogue "Processo".