quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Falando difícil


"Os limites da minha linguagem são também os limites do meu pensamento."
Ludwig Wittgenstein

Desde que li A Trilogia de Nova York, do Paul Auster, fiquei com um pensamento na cabeça: até que ponto o domínio da linguagem - ou a falta dele - interefere na mente, no comportamento e nas relações humanas. Há uns dois ou três anos eu tenho pensado nisso, e vira e mexe encontro algum texto falando sobre o assunto.
Semana passada terminei o Vidas Secas, do Graciliano Ramos, que não trata da articulação da língua, mas da vida sertaneja. Só que, no meio do sertão, Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos são como magistrais exemplos do impacto que causa a falta de vocabulário no pensar e nas atitudes.
Para completar, no vestibular simulado do Pitágoras o texto que abria a prova de português era justamente um artigo do Cláudio Moreira de Castro (Os meninos-lobo, Veja, 08 de julho de 2009) a respeito das crianças que nasceram isoladas sem oportunidade de aprender a falar. Foi o empurrão que faltava.
A discussão deu tanto pano pra manga que eu resolvi fazer não um texto, mas uma série (até agora penso em três textos, mas acho que dá para diminuir ou aumentar dependendo das ideias) sobre o "falar difícil".
Espero que gostem!

4 comentários:

Edison Junior disse...

Ficaremos encantados com tal deleite, cara amiga.

Carolina Vaz disse...

"Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz."

PS: Em Vidas Secas a situação é realmente dramática quanto a isso, os assemelha a animais sem capacidade de comunicação.

Marina disse...

Interessante, eu gostaria de ler esses textos.

Falar é difícil. Se fosse fácil, não veríamos tantos conflitos por aí.

Beijos!

Trevo sem Folhas disse...

Apoio a idéia. Certa vez tive a oportunidade de ver um documentário à respeito da vida de alguns catadores de lixo. No meio do lixão havia crianças que foram flagradas com histórias em quadrinhos na mãos. Perguntadas à respeito do conteúdo da leitura, afirmaram que estavam apenas observando os desenhos e ilustrações, pois não dominavam a leitura pelo necessidade de usar o tempo escolar para o trabalho.