domingo, 13 de dezembro de 2009

A roda viva da redação escolar

Não sei se fui a única a achar o tema da redação do Enem meio irônico. De fato é muito esquisito uma prova que já foi fraudada pedir "o indivíduo frente à ética nacional" como proposta. Mas até aí era uma só. Hoje fui abrir a prova da segunda fase da Uerj e estava lá "dê sua opinião sobre a cultura de transgressão das leis".
Hmmm... interessante.
Agora de repente parece que alguém está querendo promover a moralização dos vestibulandos através de composições escritas. Não deixa de ser um bom projeto, mas, sinceramente, o que será que estão querendo com isso? Com certeza não é para colher nossa preciosa opinião a respeito, porque eu quero ver quem é que conseguiria fazer caber "as informações contidas nos textos da proposta, os conhecimentos adquiridos na sua formação e suas reflexões pessoais" em 5 parágrafos somando 29 linhas (porque uma é do título) com introdução, desenvolvimento e conclusão sem fugir do tema. Em uma hora.
Não vou dar uma de rebelde sem causa aqui: as dissertações são importantes e têm valor como textos argumentativos que são. E mais ainda: vestibulares sem redação perdem muito de sua credibilidade. Mas a verdade é que pedir para o aluno colocar seus valores, seus conceitos de ética (ou da falta dela) no papel e daí atribuir nota de 0 a 10 para isso, não sei não, mas para mim já é abuso.

9 comentários:

Xu disse...

Condordo em gênero, número e grau.
Hoje antes de fazer a prova da UERJ, achei que teria tempo suficiente, me enganei redondamente. Reservei apenas 1 hora pra redação e me f**.
E o ENEM foi desesperador, era impossível fazer aquelas provas naquele tempo.
Ñ sei o que passa pela cabeça desses "educadores".


Belo blog.

Laila disse...

Pois é, Xu, eu acho que provas como o Enem medem muito mais a capacidade física e psicológica dos alunos que o conhecimento, mas o que é que podemos fazer, não é?
Você também fez a prova ontem? Que legal! Vai prestar para qual curso?

Xu disse...

Quero fazer Relações internacionais, mas como ñ tem na UERJ, vou prestar pra Economia.
E vc?

tobias alencastro disse...

Bom dia Laila,
Sou pesquisadora da UFSC-SC e realizo mestrado com o tema jovens, blogs e política. Gostaria que você me encaminhasse seu email para que eu possa enviar uma entrevista e inserir seu blog na pesquisa. Pode ser?
Quem me indicou você foi Zaratrusta tem que morrer.
Grata.
Marilene Alencastro
marilene@alencastro.com.br

Laila disse...

Xu, relações internacionais é massa! Aproveito até pra te indicar o blog de uma amiga minha que quer fazer também, está aí do lado, é o Lamento de um Blue.

Marilene, será um prazer participar da entrevista, vou mandar um e-mail com o endereço!

Edison Junior disse...

Fico curioso em saber se eles julgam o texto tal qual escrito ou também seu conteúdo. Por exemplo, e se o examinador não concordar com alguma opinião do vestibulando, ele tira ponto?

Rodolfo Diniz disse...

Como disse o caro colega Xu, concordo em gênero, número e grau. Com certeza a última coisa que eles querem é colher - e aproveitar - a opinião dos vestibulandos sobre o assunto. Quanto ao Enem acho que você definiu muito bem Laila, não fiz a prova, mas todos que fizeram, até os mais cultos colegas, reclamaram da dificuldade imposta pelo exame. Acho que foi muito feliz em dizer que o Enem hoje mede muito mais a capacidade física e psicológica daqueles que o fazem. No mais, meus parabéns, pelo texto, pelas colocações e definições contidas neles, e pela entrevista conseguida, que teve todo o seu mérito e deve ser razão de orgulho para você, além de incentivar ainda mais à continuar escrevendo aqui. O que, para nós leitores assíduos, é ótimo também. :D

Marcus "OROCHI" disse...

O ENEM 2009 resumiu tudo o que a educação brasileira representa:caos.
Total descaso com estudantes e instituições de ensino que o adotaram como sistema. Enfim, estamos falando de Brasil, país que está longe de levar a sério as questões que realmente importam.

Marina disse...

O Enem inteiro foi uma palhaçada e eu achei muito justo a faculdade em que me formei resolver não adotá-lo. Quanto à redação, concordo que não dá pra levar um vestibular sem redação a sério. A quantidade de profissionais que não sabem escrever uma linha é absurda.