
domingo, 13 de dezembro de 2009
A roda viva da redação escolar

quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Corcundas

Nem toda brasileira é só bunda"
Rita Lee
A atitude dos estudantes da universidade bandeirantes foi sem dúvida absurda. Vai dizer que eles nunca viram uma mulher com menos roupa ainda? Agora, daí a transformar a moça que em entrevista disse que o que queria era "ficar gostosa" em heroína é outra história.
Não me entendam mal. Todo mundo deve vestir o que bem entende, até porque o tempo do Jânio já passou e (que eu saiba) não tem nenhuma lei regulamentando o comprimento de vestidos em faculdades nem em lugar algum. Cada um sabe quantos centímetros de pano mede o seu respeito.
De fato, o "calor dos trópicos" (argumento mais usado pelos defensores das nanovestimentas) torna impraticável sair de casa de calça comprida no verão. Porém, o bom senso também mandou lembranças e as pessoas têm consciência de que não se pode trabalhar de biquíni nem sunga e que fica mal para um profissional chegar no serviço de shortinho e chinelo se você não trabalha de ambulante na praia.
O fato é que esse debate me parece muito mais machista que feminista. Afinal, mesmo no tal "calor dos trópicos" ninguém nunca fez um escarcéu desses para defender a ida de homens descamisados às faculdades.
E o mais aleatório de tudo foram os estudantes da UNB querendo atestar toda a sua superioridade cultural em relação aos da Uniban aparecendo nus em protesto.
Deviam oferecer uma vaga para a Geisy Arruda lá.
Ela também vai tirar a roupa.
Só que, diferentemente deles, ela vai ganhar para isso.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Falando difícil 2 - O vocabulário e o sentimento

Diferentemente da articulação do pensamento, o sentimento não precisa de vocabulário amplo para se manifestar. Pelo menos não um tipo: o sentimento "concreto". Estranho, não?
Como provavelmente a maioria vai lembrar, todo mundo classifica qualquer sentimento como "substantivo comum abstrato simples ou composto". A tia da 4ª série vai ficar orgulhosa. E além do mais está certíssimo. Mas tirando a classe gramatical e pensando somente nos sentimentos mesmo, eles poderiam ser classificados em dois tipos: o abstrato (ou descritivo) e o concreto.
Sem chavões, ok? Todo mundo sabe que a função do coração é bombear sangue e que a gente sente é com o cérebro mesmo. Como o que vem do cérebro é pensamento, o silogismo de que os sentimentos são um tipo de pensamento parece bem aceitável. Certo. Mas será que uma pessoa de grande bagagem lexical sente do mesmo jeito que uma que se restringe a uma simples frasqueira de vocabulário?
Aí é que está. O sentimento "concreto" é o que se materializa a partir de ações concretas. Recorrendo (como de costume) à literatura, temos que o Fabiano de Vidas Secas, por exemplo, tem um vocabulário pífio. Porém, possui uma sentimentalidade complexa. Seus sentimentos são baseados em coisas palpáveis. A admiração que ele tem por Sinhá Vitória é clara, mas em momento algum ele ou o autor citam esta palavra ou qualquer outro sinônimo. Fabiano admira sua mulher porque ela sabe fazer contas, "tem miolo" e é bonita. E isso tudo é bom. Ele gosta dela por esses e infinitos outros motivos, todos eles concretos. Tampouco o sertanejo de Graciliano Ramos expressa oralmente seu agrado. Suas manifestações são tembém concretas, ainda que mentais. Ficou complicado. São concretas porque todas teriam uma materialização possível, aconteça ela ou não. Por exemplo, recompensar a beleza da esposa (que ele vê) com uma roupa encarnada ou uma saia de ramagens (que existem).
Agora, quanto mais uma vocabulário uma pessoa adquire, com mais detalhamento pode descrever seus sentimentos (para si ou para os outros). Daí vêm os sentimentos descritivos, isto é, que são sentidos da mesma maneira, mas por serem decompostos e analisados ficam cada vez mais abstratos, e por consequência mais próximos da razão e mais distantes do instinto. O sentimento descritivo nem precisa ser exclusivo da pessoa: por exemplo, alguém que nunca foi traído pode ter noção da angústia (embora não senti-la por completo) ao ler Dom Casmurro. Várias situações que o indivíduo não viveu podem ser virtualmente sentidas ao ler uma descrição bem feita.
Portanto, o sentimento concreto é completamente independente do vocabulário, enquanto o abstrato torna-se mais e mais desenvolvido na mesma proporção que este, ficando - embora menos intenso que o concreto - mais amplo e mais compreensível.
"(...)Agora Fabiano percebia o que ela queria dizer. Esqueceu a infelicidade próxima, riu-se encantado com a esperteza de Sinha Vitória. Uma pessoa como aquela valia ouro. Tinha ideias, sim senhor, tinha muita coisa no miolo. Nas situações difíceis encontrava saída. Então! Descobrir que as arribações matavam o gado! E matavam."
Cap XII, O Mundo Coberto de Penas, Vidas Secas, Graciliano Ramos.
sábado, 31 de outubro de 2009
Falando difícil - O vocabulário e o pensamento

João Guimarães Rosa
Provavelmente alguém já está pensando que, se determinado indivíduo conhece os objetos e os sentimentos, pode saber relacioná-los sem precisar conhecer seus nomes. Pode até ser, mas o limite do pensamento vai muito além do que se vê e do que se sente. Afinal, como explicar a uma pessoa o que é "direito" ou o que é "literatura" sem utilizar palavras?
Além do vocabulário, para articular um pensamento é preciso também um mínimo de gramática. Afinal, uma palavra só se encaixa na outra quando vem aquele batalhão de conjunções, apostos, objetos, etc. Gramática não para tolhir, mas para dar fluidez ao pensamento, para conectar, para tornar coeso.
Nos últimos tempos tem feito muito sucesso a teoria das "múltiplas inteligências". Só que grande parte dessas são "múltiplos instintos", como por exemplo a tão citada "inteligência futebolística" de Garrincha. Inteligência para mim é capacidade de formular pensamento próprio. Todo mundo nasce com a mesma inteligência, só que nem todos procuram ou têm condições de desenvolvê-la.
Como disse o mestre Guimarães Rosa, o homem nasceu para aprender. E quanto mais aprende, mais pode aprender, mais pode pensar. Quanto mais conhecimento se tem, mais conhecimento se produz, e é assim que a gente evolui. O autor da frase lá em cima, por exemplo, chegou ao ponto em que aprendeu tanto que para seu pensamento não bastava o vocabulário existente: ele precisava criar mais palavras para se expressar. Fica um trechinho dele pra remoer:
"Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: pra pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém."
João Guimarães Rosa
Grande Sertão - Veredas
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Falando difícil

Ludwig Wittgenstein
Desde que li A Trilogia de Nova York, do Paul Auster, fiquei com um pensamento na cabeça: até que ponto o domínio da linguagem - ou a falta dele - interefere na mente, no comportamento e nas relações humanas. Há uns dois ou três anos eu tenho pensado nisso, e vira e mexe encontro algum texto falando sobre o assunto.
Semana passada terminei o Vidas Secas, do Graciliano Ramos, que não trata da articulação da língua, mas da vida sertaneja. Só que, no meio do sertão, Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos são como magistrais exemplos do impacto que causa a falta de vocabulário no pensar e nas atitudes.
Para completar, no vestibular simulado do Pitágoras o texto que abria a prova de português era justamente um artigo do Cláudio Moreira de Castro (Os meninos-lobo, Veja, 08 de julho de 2009) a respeito das crianças que nasceram isoladas sem oportunidade de aprender a falar. Foi o empurrão que faltava.
A discussão deu tanto pano pra manga que eu resolvi fazer não um texto, mas uma série (até agora penso em três textos, mas acho que dá para diminuir ou aumentar dependendo das ideias) sobre o "falar difícil".
Espero que gostem!
domingo, 18 de outubro de 2009
O tal do verbivocovisual

Um dia minha mestra falou que a gente pode até não gostar de determinado autor ou poema, mas o que mostra se o tal poeta tem qualidade ou não é o estranhamento que ele causa em nós. O que não pode é passar indiferente. Não posso dizer que a poesia concreta passou despercebida por mim - muito pelo contrário, achei até bem esquisita - mas nada me tira da cabeça que toda aquela rebeldia contra a forma, a cor, as fontes estranhas, não têm outra função senão disfarçar um vazio imenso, gigantesco, colossal de conteúdo e alma.
Os parnasianos foram o contrário: fizeram uma escultura maravilhosa de palavras, digna de um templo grego: a forma perfeita, a métrica exata, a rima, os versos trabalhados num poema oco. O mesmo vazio de conteúdo e alma. Talvez por isso até hoje todo mundo olhe o movimento parnasiano com certa antipatia. Quem geralmente se salva é o Bilac, justamente porque tratou dos sentimentos. Com aquele jeitão, em cima de um pedestal de mármore, não importa. Os sentimentos dele são os mesmos de qualquer plebeu.
A razão nos individualiza: é ela que nos dá a graça de sermos diferentes uns dos outros. Ela nos humaniza e nos torna grandes, significativos e poderosos.
O sentimento aproxima, coletiviza. Ele é igual. E justamente por isso eterniza determinada arte, pois o cidadão

O apego demasiado à forma - seja à perfeição ou à completa disgressão dela - é disfarce. A métrica é boa, a rima é boa, quando servem para enriquecer o conteúdo do poema, o sentimento do poema. O que não pode é deixar a alma em segundo plano para caber num verso decassílabo ou redondilho.
Até porque coca-cloaca do Décio Pignatari e o crisantempo do Haroldo de Campos são uma beleza, mas nunca vão ter a sustância da terra de um João Cabral de Melo Neto, a doce ironia das ruas de um Mário Quintana ou o pulsar desesperado do coração de um Álvares de Azevedo.

Para quem ficou curioso
http://www.poesiaconcreta.com.br/
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Crianças desaparecidas

sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Soprando velinhas

domingo, 20 de setembro de 2009
Augusto e eu
O tempo passou e eu parei de desviar os olhos e passei a ouvir o que ele tinha a dizer. Do quanto a vida é curta, a dor é grande e os amores são cruéis. E inicialmente eu discordei de tudo. Depois, só bem depois, foi que eu vi que não precisava concordar ou não com ele: era simplesmente uma questão de reconhecer que aquela era a verdade dele e respeitá-la.
Foi aí que eu vi que Augusto mexia comigo mais do que qualquer outro. Depois das palavras dele, eu pensava por muitas horas, e várias vezes chorei. E vi o quanto a verdade dele podia ser tão verdadeira às vezes.
Alguns dizem até gostar de Augusto, mas que ele é boa companhia somente nas horas de tristeza ou desespero. Eu já acho justamente o contrário: só se deve procurá-lo nos dias de sol, quando se está absolutamente bem resolvido com a vida e os amores. Primeiro porque, apesar de compreensivo, ele não é muito consolador e apresenta algumas ideias suicidas. Segundo porque ele sempre oferece bebida e cigarros nessas ocasiões, e eu não aprecio nenhuma das duas coisas.
Então, caro leitor, no seu dia de sol quando for encontrar Augusto, é muito provável que ele diga todas as coisas de sempre. E quando ele disser que a felicidade não existe você vai sorrir, apontando para si e dizendo "existe sim, olhe aqui" e ele vai balançar a cabeça descrente e acender um cigarro. Você vai voltar para sua vida e seus amores muito mais ciente da real existência deles e vai pensar "Augusto, seu tolinho, você não sabe o que está perdendo".
Não, ele não sabe. Mas graças a ele você sabe o que está ganhando.
Augusto.
Dos Anjos.
Poeta naturalista.
Nascido em 1884.
Para quem não teve a honra de conhecê-lo ainda: http://www.releituras.com/aanjos_versos.asp
http://www.jornaldepoesia.jor.br/augusto03.html
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Blog Day 2009

As regras são as seguintes: cada um deve indicar em seu blog cinco blogs alheios, de preferência que tratem de assuntos e culturas diferentes da sua.
sábado, 22 de agosto de 2009
"Pega a faca e mata!"
Outro dia me deparei com o álbum mais ferrenhamente vegetariano que já vi. 95 fotos de pura militância anticarnívora. Quando cheguei à 40ª foto, já estava considerando a hipótese de me tornar herbívora até que ouvi o chamado de "quem quer hambúrguer!?" e fim da história.
Neste meu curto tempo de vida até agora já ouvi absurdos como "eu não como carne, só como picanha" e "eu sou vegetariana, mas como nuggets". Claro que isso dá o que pensar. As pessoas não comem carne por diversos motivos, algumas por gosto, outras pelo peso e muitas por filosofia de vida. Gosto e peso são problemas muito pessoais, então vamos à filosofia.
É comum ouvir grandes dissertações sobre as emissões de metano causadas pelas criações de gado mundo afora. Acontece que os aterros sanitários, onde é depositada a maior parte do lixo orgânico mundial, emitem muito mais metano. E o lixo orgânico, além de restos de carne, inclui também saudáveis e puros restos e cascas de vegetais e frutas. Ainda sobre o monstruoso aquecimento global, é importante dizer que os adorados computadores em que os respeitáveis vegetarianos divulgam suas idéias verdes são produzidos em sua maioria por empresas de capital norte-americano, sendo que os EUA nem assinaram o protocolo de Kyoto.
Outro argumento muito comum é a crueldade com os animais, e é aí que eu chego ao verdadeiro assunto do texto: a crueldade. A crueldade está cada vez mais cruel. Se hoje eu digo que não dispenso um bom churrasco, que o queijo não é a mesma coisa sem o presunto e que não tem palmito que substitua um molho à bolonhesa tem gente pronta para me chamar de assassina. Porém, muitos fecham os olhos para as crueldades cometidas nas touradas, nos rodeios, nos circos, nas rinhas de galo e nos reality shows que divertem todo o mundo.
Reality shows? É, eles mesmo. Afinal, o que poderia render mais Ibope que tortura humana, seja ela física ou psicológica? Que tipo de humanidade senta no sofá para assistir pessoas comendo olhos de cabra, embriões de pintinhos, peixes vivos e outros "alimentos"? Todos prontos para passar por cima dos seus escrúpulos, dos seus valores e dos seus limites para ganhar altas somas de dinheiro. E os filmes? As tropas de elite da vida? Tortura esgota bilheterias.
Crueldade.
E antes que venham com grandes discursos dizendo que a culpa é do capitalismo, que ele torna as pessoas selvagens, estejam os senhores leitores devidamente lembrados que as execuções públicas já eram atração há mais de 2 mil anos e que os combates entre cavaleiros divertiam a sociedade feudal.
A crueldade parece quase inerente. Se a humanidade não evoluiu a ponto de se tornar boa consigo própria, imagine tornar-se piedosa para com os animais. Antes defender a própria espécie! Se bem que, com essa crueldade toda, nem sei porque me dou ao trabalho.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
O Baú de Espantos e o PC
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Pandemia, pandemônio
Sabia?

Enquanto isto, nas grandes cidades, as pessoas adiam seus intercâmbios e suas viagens internacionais e lotam as clínicas com medo da Influenza A, que já foi tachada de pandemia. E agora por causa da gripe há mobilizações gigantescas da OMS para desenvolver tratamentos, vacinas e conscientizar o povo.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Falsos pudores

3 Pundonor, recato, seriedade.
Verdadeiro.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Catarse ha-ha-ha

Ficou tudo tão engraçado que tem gente se esquecendo até de ficar sem graça.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Posse

Obs.: O Banquinho está no jornal! O artigo sobre o novo ENEM está na edição 37 do Valença em Questão, que saiu na quinta feira. A edição está especialmente voltada para a Educação, e está disponível para baixar no blog do VQ (http://blogdovq.blogspot.com/).
domingo, 28 de junho de 2009
A sociologia e o caipvodka
Como as festas de colégio ainda são familiares, resolvemos vender então algo mais familiar: caipfruta com guaraná para as crianças, com uma dose modesta de vodka para os adultos e fondue de chocolate. Mais para o fim da noite, vendo nosso lucro desaparecer, resolvemos vender

3 - Dos comentários:
Se beber, não dirija.
terça-feira, 2 de junho de 2009
"Tá querendo"

domingo, 24 de maio de 2009
Orgânico não é vivo

domingo, 17 de maio de 2009
Sandice

quarta-feira, 6 de maio de 2009
Descoberta
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Um banquinho na caverna
Mais uma vez uma decisão de peso é tomada sem consultar os beneficiados e prejudicados, de modo completamente precipitado assim como foram as cotas.
Os senhores leitores sabiam que aluno quer dizer "sem luz"? (A=negação, luno= luz). Mais alienados e mais às escuras que nunca (ou alienados e às escuras como sempre?) nos sentamos para acompanhar a decisão que decidirá nosso futuro próximo (Outubro!!).
Bem vindos à caverna. Vamos sentar e assistir. Vou pegar um banquinho.
segunda-feira, 23 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
O dia em que falsifiquei Drummond


terça-feira, 10 de março de 2009
M.A.P. - O modesto-palanque

É assim que o modesto-palanque vive. Diferentemente dos modestos-holofote, ele nunca admite seus defeitos (aliás, que defeitos?). Ele não precisa da falsa modéstia dos modestos-confete e muito menos da modéstia polida dos modestos-caviar. Ele está acima disso tudo. Acima da modéstia, acima do bem e do mal e, principalmente, acima dos outros.
Conviver com alguém desse tipo pode ser extremamente difícil ou extremamente engraçado: tudo depende de como você vai tratar a questão. Supondo que seu professor seja um modesto-palanque. Ele realmente vai acreditar que a matéria dele é a mais importante e que as demais são apenas "acessórios". E ele nem vai se irritar se você disser o contrário, pois ele tem tanta fé de que é verdade que vai levar na brincadeira.
Até hoje não sei se o modesto-palanque quer se afirmar ou realmente se acha aquilo tudo (creio que é a segunda opção), mas o fato é que ele, mais que todos, sempre deixa a modéstia à parte.
Um experimento divertido: se divirta junto. É o jeito.
Com este texto, fecho a M.A.P., embora nada impeça de um dia eu encontrar um novo tipo de modesto e contá-lo. =) Espero que tenham se divertido.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Reniversário
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Meu avô e o poeta
Outro dia a minha mãe fez uma observação que eu, incrivelmente, não tinha reparado: ele é a cara do meu avô. A mesma careca, as mesmas rugas, as manchinhas, o mesmo olhar de quem já viu e sofreu muito na vida e hoje não se detém mais a isso. O nariz, as rugas, tudo! Meu vô Delso:

Meu avô é um homem simples. As atividades dele são as mais frugais: sapateiro há mais de 50 anos, pesca sempre que pode, cria um milhão de passarinhos (exagero meu, claro, mas quando eu era menor era assim que parecia). Ele sempre se lembra de tudo: o queijo da minha mãe, o jornal de domingo para mim, a vagem que o meu irmão adora. Ele é casado com a minha avó também há mais de 50 anos, tem os mesmos amigos desde sempre e não abre mão da cervejinha na companhia deles em todo jogo do Botafogo. Ele senta sempre na mesma poltrona. Ele está doente.
Eu passei a ver meu avô como um poeta. A vida dele, tão absurdamente simples, chega a ser um poema vivo. O Mário Quintana colocou no papel toda a fugacidade da vida e a beleza das coisas simples dela. Cultivou um montão de palavras para falar sobre os passarinhos, plantas, peixes, estrelas e sonhos. Meu avô cultivou os próprios passarinhos e plantas, pescou os peixes e muitas vezes me mostrou estrelas e sonhos. Meu avô, que nunca escreveu um verso na vida, é para mim tão poeta quanto o príncipe dos poetas brasileiros.
Meu avô, o poeta.
Meu avô se internou ontem com problemas respiratórios. Você, que está aí lendo, se tiver alguma crença, peço que reze por ele. Para mim vai ter um valor enorme. Obrigada.
(13/02)Gente, meu avô vai ter alta hoje, obrigada pelo apoio de vocês!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Axioma
A Física não se cansa de provar este meu axioma que, por sinal, foi citado hoje numa aula desta matéria. A reação do professor? "Boa frase, é de alguém?" "É minha" "O seu mal é a modéstia."
Pois é.
A M.A.P. volta no próximo post com o modesto-palanque.
=)
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
M.A.P. - O modesto-holofote

O modesto-holofote gosta de aparecer, sabe disso, e não está nem aí. É um tipo que acha hipocrisia a modéstia falsa. Quando elogiado, agradece; quando chamado a fazer algo que sabe, vai. Se fala bem, vai fazer um discurso. Um exemplo vivo é a própria blogueira que vos escreve.
Vai ser mais complicado manter a minha parcialidade ao falar da minha classe, mas farei o possível para colocar a modéstia à parte. Um modesto-holofote tem consciência de suas qualidades e defeitos, embora se sinta meio machucado ao falar destes últimos. Não que ele não os reconheça, apenas não gosta muito de ouvi-los pelas outras pessoas. Ele recebeu este nome porque gosta de atenção, e nada como um bom refletor para consegui-la.
As pessoas que têm essa característica costumam causar péssimas primeiras impressões, e quando fazem um novo amigo o bordão "nossa, quando te conheci achava que você era nojento!" é um clássico. Geralmente são autoritários e têm mais dificuldade para trabalhar em equipe. São adeptos da filosofia do "se quer perfeito, faça você mesmo" e levam a sério. Muitas vezes a ponto de fazer sozinho um trabalho para 10 pessoas por falta de confiança no trabalho alheio.
Mas não tenham preconceito, por trás de um modesto-holofote não há nada mais do que uma pessoa que quer aparecer por seu próprio mérito, e não por negação dele. Esse tipo costuma ter uma boa auto-estima, porém frágil. São confiantes ao se afirmar e sabem o que fazem, mas basta ouvir uma crítica para que se desmanchem em defesas.
Na minha [humilde] opinião, este é o melhor e mais honesto tipo de modesto.
Ops, não me contive.
Mais M.A.P.? Conheça os amigos modesto-confete e modesto-caviar
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Nós, os imortais
Depois eu fui vendo outras coisas, sempre com a mesma impressão: eternidade. Acabar de ver algo bom ou ruim que vou poder contar para os meus netos e ver a carinha deles igual à que eu sempre fiz quando ouvia meus avós e bisavós contarem grandes fatos do passado. É algo impressionante, que dá uma sensação de imortalidade.
Hoje foi uma sensação dessa. É claro que vocês já sabem porque. Eu procurei me manter imparcial nas eleições americanas, e várias vezes fui indiferente ao Obama ou à vice escandalosa do McCain. Mas hoje, no juramento da posse, independentemente da qualidade de governo que ele faça daqui por diante, vi que o cara já virou imortal. E nós com ele. Nós vimos.
Yes, we saw.
Obs.: A M.A.P. não acabou, semana que vem tem mais. Só quis fazer do Banquinho um pouco imortal também.
=)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
M.A.P. - O modesto-caviar

O sujeito aprendeu a vida inteira que querer aparecer é errado, que é falta de educação. Então, nada mais óbvio do que ser modesto até a raiz dos cabelos. O modesto-caviar não só nega suas qualidades, como também admite seus defeitos (mesmo que isto acarrete situações embaraçosas).
Por exemplo, nosso estimado amigo é obeso. Ao estar num grupo de amigos, vai sempre citar seu peso, geralmente para parecer engraçado. Ele sabe muito bem que ninguém vai dizer "ah, que isso! você está ótimo!". E ninguém diz mesmo.
O modesto-caviar é inseguro, completamente inseguro, e tem péssima auto-estima. Pode até ser que pense: "bom, já que não tenho qualidades para simpatizarem comigo, vou fazer todo mundo simpatizar com meus defeitos". E há duas variações: o que busca pena e o que busca risos, sendo que este último costuma ser mais bem aceito nos círculos sociais.
Desta vez não vou propor experimentos divertidos, porque acho que brincar com gente de baixa auto-estima pode ser desagradável para os dois lados. Ele quer atenção, não para aparecer, mas sim para ser aceito e se sentir querido. Faça por onde, né?
Mais M.A.P.? Leia O modesto-confete
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
M.A.P. - O modesto-confete

Colegas, isto é uma série. É bom ler a abertura primeiro. [clique]
Este é um tipo bem comum. O modesto-confete é, antes de tudo, orgulhoso e inseguro. É aquele que tem plena consciência das suas habilidades, mas não tem segurança o suficiente para admiti-las.
É simples. Vamos supor que o nosso amigo em questão saiba cantar. Agora, imaginemos uma festa. Todos pedem para que ele cante, mas não há meios de fazê-lo cantar. As pessoas dizem “ah, você canta tão bem, canta só um pouquinho!” e ele, rogado, responde “Cantar?! Eu? Com essa voz de taquara rachada?”. A chuva de súplicas e elogios que se segue é o alimento perfeito para o orgulho dele.
O modesto-confete é tão orgulhoso, que tem medo de arriscar-se mostrando suas habilidades. Ele sabe que talento assusta e afasta as pessoas. Então, resolve se esconder atrás de uma capa de falsa modéstia para buscar a aprovação de todos.
Não se engane, ele não é um falso-modesto comum. Não, ele tem um objetivo com a falsa modéstia dele: a aprovação de todos. Ele é aquele que sempre quer se dar bem com todo mundo. É exatamente porque ele é tão orgulhoso e inseguro que ele precisa de elogios constantes. E a melhor forma para consegui-los é, lógico, negar o talento. Assim, pode ser aclamado sem parecer arrogante.
Um experimento divertido: tente não dizer nada quando ele se fizer de rogado. Não concorde nem nada (ele pode se ofender!), só fique quieto e espere. Pode ser que a pessoa se toque.
Ou não.